Mesa temática disctute integridade e gestão de riscos em projetos geridos por fundações de apoio
Luis Henrique Moreira
Quais são as expectativas dos financiadores públicos e privados quando se trata de integridade, conformidade e gestão de riscos em projetos geridos por fundações de apoio? O 4º Encontro de Fundações de Apoio do Sudeste (Enfasud) propôs essa discussão como mesa temática, nessa quinta-feira (29), mediada pelo gerente de Compliance da Fundação de Apoio da UFMG (Fundep), James Mota. Participaram o diretor de Compliance Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), Daniel Lança, o superintendente de Conformidade, Integração e Gestão de Riscos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Marcus Alvarenga, e o coordenador-Geral de Auditoria da Área de Educação Superior e Profissional na Controladoria-Geral da União (CGU), Cristiano Coimbra.
O Encontro, organizado pela Fundep, em parceria com o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), acontece na Escola de Engenharia da UFMG, em Belo Horizonte.
Ao iniciar as discussões, James Mota destacou que as fundações de apoio não têm apenas o compromisso com a integridade financeira de seus processos, mas em todas as suas áreas de atuação. “Ao fazer a gestão administrativa e financeira de projetos de ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento institucional, a fundação de apoio tem um compromisso contínuo com a ética, integridade e conformidade. Não apenas aplicando os recursos, mas garantindo transparência, confiança e as corretas prestações de conta na sociedade em geral”.
INTEGRIDADE EMPRESARIAL E MUDANÇA CULTURAL

Cristiano Coimbra destacou a importância de iniciativas que reforçam o compromisso público com a integridade empresarial. Um exemplo é Pacto Brasil pela Integridade Empresarial, da CGU, que amplia o fomento à integridade empresarial, dissemina conhecimento sobre o assunto e conscientiza empresas sobre urgência do tema. “As instituições participam de forma voluntária com o preenchimento de um termo autoavaliativo. O intuito é gerar o compromisso com processos de responsabilidade ambiental e social, promovendo uma mudança de cultura empresarial. Os benefícios ilustram bem o intuito do programa, como o reconhecimento pela Controladoria-Geral da União como uma instituição comprometida com a integridade”, explicou.
A mudança de cultura foi destaque na discussão. Para Coimbra, quando se fala de integridade, compliance e prestação de contas, a intenção não é gerar a ideia de puro combate à corrupção, mas uma mudança de pensamento. “As crises despertaram um interesse nos programas de integridade. É importante destacar que o objetivo não é só evitar desvios, mas sim fomentar uma prática de comportamento ético para uma que a agenda anticorrupção seja prioritária e que a ética esteja vinculada à missão institucional e de entrega”.
Para Marcus Alvarenga, os processos de estruturação de riscos e de compliance é importante para manter a integridade em todos os processos internos. Segundo ele, no caso da Finep, o ponto crucial para a transparência está no acompanhamento de relatórios, sejam parciais, finais ou prestação de contas. A automatização de alguns processos e a manutenção da lisura das instituições diminuem os riscos. “Atualmente, em matéria de integridade, conseguimos organizar e trazer o viés tecnológico para uma integridade mais célere na prestação de contas dos projetos”, destacou o superintendente da Finep.
Daniel Lança, da Gasmig, argumentou que, além da adesão de processos mais rigorosos, a solução para os problemas de integridade empresarial está na mudança de cultura. De acordo com ele, a confiança é o ponto principal da discussão e que o envolvimento proporciona mais confiança entre as partes. Para ele, a cultura de integridade, de transparência precisa ser mais fomentada na sociedade. “Só vamos resolver o problema se mudar de uma cultura corretiva para uma cultura de integridade. Isso começa pela alta administração das empresas, de fazer o que é certo e não permitir ‘jeitinho’. Precisamos falar mais de integridade e fomentar mais esse assunto. Assim vamos reverter o quadro de desconfiança para um ambiente com confiança nas pessoas”, disse o diretor de Compliance.
Gabriela Matos, coordenadora de Gestão de Pessoas da Fundação de Apoio Universitário (FAU), de Uberlândia, acompanhou a mesa temática e reforçou a importância desse olhar diferenciado sobre como lidar com a integridade. “É necessário que a gente tenha menos medidas de controles e mais confiança. É preciso que a gente confie. Acho que essa palavra resume nossa mesa aqui de hoje. Esta é a reflexão que fica hoje”.
SOBRE O ENFASUD
O 4º Encontro de Fundações de Apoio do Sudeste (Enfasud), realizado nos dias 29 e 30 de maio, em Belo Horizonte, tem como propósito fortalecer a articulação entre as fundações de apoio das instituições de ensino e pesquisa da região Sudeste, promovendo o compartilhamento de experiências, desafios e soluções inovadoras. Com uma programação diversificada, o encontro promove palestras, mesas temáticas e espaços de networking para gestores e colaboradores das fundações.
No mesmo ano em que completa 50 anos de atuação, a Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) assume a realização do evento, em parceria com o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies).