Mesa temática reforça o papel da comunicação como aliada estratégica

Mesa temática trouxe reflexões e apontou caminhos para tornar a comunicação uma aliada da gestão, da transparência e do posicionamento institucional.

Marco Tulio Bayma

O 4º Encontro de Fundações de Apoio do Sudeste (Enfasud) recebeu, nessa sexta-feira (30), a mesa temática “Gestão estratégica e integrada de comunicação”. A discussão reuniu cerca de 70 pessoas e foi orientada pelo presidente da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) e analista de Comunicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Jorge Duarte. A mediação foi da assessora de Comunicação e Marketing da Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) e docente de Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) e do Centro Universitário Uma, Tacyana Arce.

Esta edição do Encontro, uma organização da Fundep, em parceria com o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), ocorre na Escola de Engenharia da UFMG, em Belo Horizonte.

“A comunicação não é um tema usual nos seminários de congressos de fundações de apoio. Temos uma oportunidade de ouro com essa conversa”, disse Tacyana Arce, na abertura do seminário, ao destacar a relevância do encontro. Dos presentes, em sua maioria, não eram de profissionais de comunicação social. De acordo com ela, o cenário representa também uma oportunidade de compressão sobre a importância estratégica da atuação.

COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA E EFETIVA

Jorge Duarte destacou a importância estratégica da comunicação.

Jorge Duarte reforçou a visão estratégica da comunicação. “Um erro comum que existe na avaliação dos setores de Comunicação de organizações é estimar que ela seja meramente instrumental – valor exclusivamente de divulgação ou propaganda. Quando sabemos que, na verdade, é preciso estratégia e integração para ser efetiva”.

A preocupação está ligada à capilaridade das redes sociais e da democratização de meios de comunicação na sociedade. Com a maior integração informacional, organizações têm a necessidade de produção em massa de textos e vídeos, que não foram dimensionados para um objetivo maior. “As pessoas que gostam e têm certa facilidade para essas produções, frequentemente têm designações dessas produções sem nenhum pensamento estratégico por trás”, explicou o presidente da ABCPública.

Duarte atentou que a comunicação deve funcionar como um meio e não apenas como um fim. Mostrou exemplos históricos de ligação da comunicação pública como propaganda e proteção da autoridade, com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda, no governo de Getúlio Vargas em 1939. A maturação dessa cultura ampliou-se a partir dos anos 60 com a ditadura civil-militar e mantem-se entranhada até os dias de hoje nos órgãos públicos.

A partir disso, Jorge Duarte defendeu que nos dias de hoje, a comunicação é vista pelas pessoas como forma de defesa do poder e da autoridade. “A falta de cultura de prestação de contas e transparência são estruturas culturais geradas pelo contexto histórico brasileiro. Para superar esse cenário, é fundamental aumento da escuta de pessoas e, consequentemente, maior sentimento de inclusão e participação”.

COMUNICAÇÃO DEMOCRÁTICA

Dados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), de 2024, mostram que aproximadamente 90% da população brasileira tem alguma dificuldade na compreensão de texto com múltiplas fontes de informação. Duarte explicou, a partir dos números, que “não há treinamento para comunicar com pessoas com dificuldades de leitura de textos básicos sem análise, que são as pessoas que mais precisam da comunicação”.

Para desenvolver uma comunicação mais efetiva e estratégica, Duarte propõe que é fundamental a realização de um diagnóstico inicial de cada situação como início do processo. Além disso, a intenção de ajudar a organização a resolver o problema é o ponto que diferencia os profissionais de comunicação dos trabalhadores de outros setores que realizam a comunicação no seu dia a dia.

“Dimensionar o que realmente importa e focar em estratégias de impacto é a saída para os comunicólogos atingirem resultados estratégicos. Quando a comunicação tiver o objetivo de orientar, mobilizar, dar conhecimento, unificar e nivelar, chegamos ao nosso real propósito”, finalizou Jorge Duarte. 

Lorena Filgueiras, coordenadora de Comunicação da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa da Universidade Federal do Pará (Fadesp) elogiou a mesa temática: “Jorge destacou pontos desafiantes dos departamentos e assessorias, sobre como produzir uma comunicação estratégica para além de nossos pares, para alcançar o nosso entorno e a nossa comunidade. Foi um fôlego para fazer a gente desmistificar práticas e acreditar que é possível, a partir de planejamento e conhecimento da área, alcançar resultados efetivos”.

SOBRE O ENFASUD

O 4º Encontro de Fundações de Apoio do Sudeste (Enfasud), realizado nos dias 29 e 30 de maio, em Belo Horizonte, tem como propósito fortalecer a articulação entre as fundações de apoio das instituições de ensino e pesquisa da região Sudeste, promovendo o compartilhamento de experiências, desafios e soluções inovadoras.  Com uma programação diversificada, o encontro promove palestras, mesas temáticas e espaços de networking para gestores e colaboradores das fundações.

No mesmo ano em que completa 50 anos de atuação, a Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) assume a realização do evento, em parceria com o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies).

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